sexta-feira, 25 de maio de 2012

Intervenção Precoce #2

A S. iniciou o seu trabalho por uma avaliação, a meu ver exaustiva, de tudo aquilo que ele consegue ou não fazer. Segundo ela, o meu filho percebeu bem o que se estava a passar, ou seja que ela estava alí para ele.
Também se reuniram todos os intervenientes: a educadora, a educadora de apoio, a terapeuta ocupacional e a terapeuta da fala. Não me contaram muito sobre o que falaram, apenas que concordam sobre as estratégias a adotar, de como a PEA é ligeira e que as birrinhas são positivas porque são próprias da idade e mostram que, mesmo ele sendo o exemplo de bom comportamento e obediência, tem vontade própria e quer demonstrá-la!
Pois é, o meu filho é o exemplo de bom comportamento no infantário, de tal forma que chega a ser preocupante. Faz tudo o que lhe dizem, é super atento às conversas, por exemplo: a educadora diz à auxiliar para os sentar no tapete e ele, como ouviu, vai logo sentar-se! Vai sempre na filinha para o refeitório e se uma das mais pequeninas sai da fila ele vai buscá-la.... Como elas dizem, é um querido!! Eu penso que esse comportamento se deve a ele não se sentir à vontade, de ter medo de fazer algo que não seja suposto e ser repreendido! Sei que é muito bem tratado e que os medos dele são injustificados mas, não sei bem porquê, acho que é isso que se passa na cabecinha dele!
A avaliação foi feita com base na "Escala de Avaliação de Competências no desenvolvimento Infanil (SGSII), concluindo-se que se situa dentro do esperado para a sua faixa etária na maioria das áreas avaliadas. As áreas avaliadas foram as seguintes:
- competências locomotoras (movimento e equilibrio, escadas),
- competências manipulativas (aptidão manual, cubos, desenho),
- competências visuais (função e compreensão),
- competências na audição e linguagem (função e compreensão),
- competências da fala e linguagem (vocalização e linguagem expressiva),
- competências de interação social (comportamento social e brincar),
- competências na autonomia pessoal (alimentação, higiene e vestir).
Abaixo do esperado estão as competências locomotoras, nomeadamente o movimento e o equilibrio, as competências da fala  e o brincar apesar de brincar com satisfação.
Até aqui nada de novo! Eu sei as suas limitações, sei que ele não fala como os meninos da sua idade (encontra-se aos nivel dos 12 meses), sei que é um bocadito desengonçado, tropeça muitas vezes e que tem muito pouca imaginação nas suas brincadeiras... Também sei que em algumas áreas ele se encontra acima do esperado para a sua faixa etária...
O mais interessante desta avaliação foi o que se seguiu, a educadora S. reuniu comigo apresentou-me uma série  de tabelas com indicadores de competências e com propostas de actividades para estimular essas competências. Escolhemos cerca de 12 objectivos e respectivas actividades para trabalharmos em casa nos próximos 6 meses.
Vamos ter TPC!!
Foi também muito bom ouvir da educadora de apoio que estava à espera de encontrar um menino com outras características... Para ela o meu filho é essencialmente, um menino com um atraso na fala, pois ele não tem um comportamento rebelde, brinca com as outras crianças, reage bem ás orientações da educadora e brinca com satisfação.
Eu sei que ele tem feito progressos, sei que se ela tivesse começado há uns meses atrás não teria a mesma opinião, nessa altura ele estava muito mais fechado. Posto isto, estou confiante que vamos no bom caminho!

4 comentários:

  1. Olá
    Eu concordo a 100% com a educadora - acho que o teu menino só tem um atraso na fala!
    Se dizes que ele é bem comportado, faz o que lhe dizem, está atento às conversas, brinca com os outros e segue orientações como é que pode ser PEA, ainda que ligeira???
    Não devemos comparar mas repara: a minha menina raramente olha quando a chamam, não liga nem participa nas actividades, bate, ferra e dá cabeçadas nos coleguinhas, não brinca com eles, só segue orientações quando lhe interessa e também só ouve quando que lhe interessa, de resto parece surda...

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    1. Olá, Helena!
      Compreendo o que me dizes... mas isso deve-se ao fato de o espectro do autismo ser demasiado vasto, por isso cabe lá tudo e existem casos tão diferentes um dos outros.
      Apesar de não ter um comportamento agressivo e de ter um bom contato ocular, que são os aspectos positivos dele, tem outros, que são levezinhos e que às vezes só eu, que estou atenta e dentro do assunto, é que noto. Por isso foi tão difícil para outras pessoas da familia compreenderem o que se passa, o que ele tem, e pensarem que está tudo na minha cabeça! Por exemplo, não brinca como as outras crianças da sua idade, só há pouco tempo brinca com os carrinhos como deve ser e mesmo assim a maior parte das vezes só os alinha... Também tem alguns comportamentos repetitivos...
      Bjs

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    2. Concordo com a Helena que pode não ser uma PEA mas sim uma Perturbação Específica da Linguagem. Já foi provado que muitas destas desordens têm comorbilidades, é frequente encontrar traços de autismo em crianças com Perturbação da Linguagem, de os Hiperactivos também terem por vezes traços de autismo e atrasos na linguagem, de os meninos com PEA terem por vezes associada Hiperactividade... Hiperactividade, Atrasos na Fala, Perturbação Obcessiva-Compulsiva, Desordens Sensoriais, Autismo, Perturbação Desafiante e da Conduta, etc etc... é como se pertencessem a uma grande família, um mega espectro onde nem sempre estão bem definidas as fronteiras. Por isso, o Dr. Palha fala em Essence, com base numa definição de Gillbert que indica que em idades precoces não se pode fechar diagnósticos pois as coisas sobrepõem-se.Sei de casos que aos 2 anos têm diagnóstico de autismo, aos 5 de Asperger e aos 7 apenas de Hiperactividade...

      No entanto aos 26 meses não podemos ter mesmo a certeza de nada. Sendo que temos obviamente que estar atentas e intervir nas áreas onde precisa de ajuda. E atenção, que ser calmo/bem-comportado não é um factor de eliminação para uma PEA...Por exemplo, no caso da Mina, do Aspie´s Blog o filho dela sempre foi calmo e tem Asperger...

      No entanto, no caso do meu, lembro-me que aos 2 anos era uma criança muito mais calma que é agora... Até me recordo de o Dr. Palha perguntar se ele era "terrível" e fazia muitas birras e eu dizia que não... Aos 3 começou a fazer birras tão terríveis que foi inclusive sugerido medicação...

      Eles vão passando por fases... Agora com 4 está mais calmo outra vez mas ainda bate noutros meninos de vez em quando, faz birras que me deixam louca... Enfim, mas vejo que a tendência é para melhorar :)

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    3. Obrigada pelo esclarecimento... Concordo que mais importante que dar nomes às coisar é a intervenção nas áreas em que se notam comportamentos desviantes.
      Quanto a ser cedo para um diagnóstico, penso que seja por isso que definiram a PEA atípica e em caracterização...
      O meu filho não faz birras... só birrinhas! Mas também já percebi que pode mudar como tem mudado noutras coisas!
      Como se costuma dizer "nem 8 nem 80", parece que nesta idade já devia fazer birras, proprias da idade!
      Beijinhos

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