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domingo, 3 de junho de 2012

Bem-vindos à Holanda|

Este é um texto, excelente, que fala sobre a experiência de ter um filho diferente...


segunda-feira, 21 de maio de 2012

"O menino é mudo!"

Esta foi a frase que o pai ouviu da boca de outro menino com cerca de 4 ou 5 anos. Dizem que na boca das crianças está a verdade, não filtram. De facto, o meu menino é mudo, por enquanto. Não diz palavra, faz uns gestos e humhum quando quer alguma coisa, principalmente quando está em lugares públicos, em casa já se vai esforçando e palra.
Estavamos numa esplanada, na mesa ao lado estavam vários adultos, um cão (o Pipo) e esse menino (M.). O Pipo era amoroso, não sei dizer a raça mas era de porte médio, meiguinho e pachorrento. O meu filho não vai muito à bola com os cães, parece ter algum receio apesar de lhes achar uma certa graça, já teve duas experiências menos boas com dois mini cães antipáticos (detesto cães pequeninos!). Engraçou com o Pipo e quis dar-lhe um pauzinho, ali esteve, humhum a esticar a mãozinha com o pau, sobre os nossos olhares atentos e também do M., que fez logo a observação muito acertada "o menino é mudo!"
Depois disso revelou-se uma criança espetacular, adorei a sua atitude, começou logo a tentar comunicar com ele através de gestos! E ali andaram, foram passear o cão, brincaram na fonte e o meu filho adorou, ria-se às gargalhadas!
Pareceu tudo tão simples, fácil! Foi uma lição...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Especial, porquê?

O meu filho é especial principalmente porque é MEU!
Desde que nasceu que é elogiado, como todos os bébes, por ser lindo, por ser muito sossegado, por ser calminho, por dormir a noite toda... Quando a esmola é demais o pobre desconfia, comecei a ficar apreensiva, quando a minha sogra me dizia, "a Mãe não sabe o que é ter um bebé!" Aí comecei a ver as diferenças, nunca teve cólicas, não dava más noites, não pedia colo, ria-se pouco, entretinha-se sozinho, não olhava muito para mim ou seja não me imitava (andei um mês a tentar que ele fizesse o gesto da galinha põe o ovo e nada...), não falava, fazia humhum, aos 18 meses não apontava para o queria (esticava a mãozinha e gritava, quando não chegava lá pois esticava-se todo para conseguir alcançar o quer que fosse), não chamava nem dava sinal que tinha acordado, ficava na cama sossegado, e, o que me fazia muita confusão, passava muito tempo a transportar objectos de um lado para o outro, fazia um montinho alí e depois levava tudo para acoli!
Foi na consulta de rotina dos 18 meses que resolvi expor as minhas preocupações à pediatra, ela disse que o comportamento repetitivo, não apontar e não chamar quando acorda para sair da cama é que era preocupante, por isso recomendou uma terapeuta ocupacional. Nunca me falou em autismo, nem nada do género.
Assim, começámos logo a terapia, no privado para ser mais rápido porque no público, como todos sabemos o serviço nacional de saúde tem lista de espera... A terapeuta falou-me de apoios da segurança social, que me pediram um relatório do médico... aí com o relatório a dizer que o menino tinha um défice de comunicação e interacção fiquei assustada! Isso e a andar a tratar de papéis de apoio à deficiencia! Fui para a internet e depressa cheguei ao tema de autismo!! Comecei a ficar assustada mas como no relatório da terapeuta dizia que podia ser imaturidade consegui manter a calma... Ele foi para o infantário, também por recomendação da pediatra.
Comecei a ver resultados. Em casa, connosco, a interacção começou a aumentar significativamente e comecei a ficar mais descansada...
Até  ao dia em que a educadora reuniu comigo para falar sobre o PDI(plano de desenvolvimento individual) para o 2º trimestre. Perguntou-me se eu sabia o que era sindrome de asperger (eu sabia, via uma série Parenthood,  onde uma das personagens é um menino com asperger), se alguém já me tinha falado do assunto... comecei a tremer e as lágrimas a cairem-me dos olhos, deixei de a ouvir... saí de lá e fui ter com o meu marido sem saber o que pensar!
Seguiu-se uma consulta com a pediatra que se "passou" disse que a educadora tinha era que puxar por ele, conquistá-lo, em vez de começar logo a por rótulos! Mas lá fomos a uma consulta de pediatria do desenvolvimento e outra de otorrino para ver se ele tinha algum problema de audição.
Sobre as consultas vou escrever outro post até porque, para verem como os progressos na imitação estão a ser positivos, ele está aqui a querer escrever no computador, como a mãe!